sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sobre as últimas publicações

Como você deve ter visto, eu fiz uma série de postagens. Eram textos já publicados em outros lugares, mas ainda inéditos no meu próprio espaço. Espero postar mais regularmente, mas gostaria que você me desse suas impressões, que trocasse experiências comigo. Eu também ficaria muito feliz se você compartilhasse meus textos, e que eles de algum modo pudessem ajudar alguém.

Os dois últimos são mais "sisudos", são estudos com um pouco de polemismo. Os anteriores, contudo, são mais leves e têm um caráter devocional. Foram escritos em momentos de profunda meditação, e considero que são edificantes. Caso você queira ler esses oito textos meditativos antes, você pode acessá-los diretamente nesse link: 

http://isaiasoliveira.blogspot.com.br/search/label/medita%C3%A7%C3%A3o%3B

Shalom!

Cristianismo, Cultura e Ideologia



Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo”. Colossenses 2:8

O Cristianismo é uma fé para todos os seres humanos (Gl 3:28), independente de qualquer “qualidade de distinção” natural (sexo, cor) ou “artificial” (nacionalidade, religião, ideologia).

Ninguém precisa abandonar sua cultura para se tornar cristão. E por “cultura” dizemos aqueles traços distintivos de um povo, suas cores sociais, que não sejam claramente práticas pecaminosas, a exemplo do canibalismo ou da prática do infanticídio.

O Cristianismo não se confunde com ideologias particulares. Entendendo aqui ideologia no seu sentido amplo de conjunto de ideias ou visões de mundo que influenciam ordenamentos sociais e posições políticas. Devido à mal compreendida maleabilidade do Cristianismo, houve vários momentos históricos em que elementos culturais ou ideológicos passaram a fazer parte de determinada vertente cristã. Quando essa mistura se torna uma tradição, os fiéis dessas vertentes passam a acreditar que ser cristão implica ter as leituras de realidade e discursos próprios dessas versões do Cristianismo. Desse modo, ser cristão, nessa visão, passa a ser um distintivo cultural que assume força de ideologia quando é exportada para outras nações. Isso não significa, necessariamente, um desvio doutrinário ou heresia.

O cristianismo é universal, mas é também local. É importante que ele assuma as cores locais, mas não deve perder sua universalidade ou se tornar parte de uma corrente ideológica que vai ser exportada para outros povos.

A cultura é tradição, o Cristianismo também possui uma linha de tradição que remete aos primeiros ensinos de Cristo. Entretanto cabe uma distinção, ele possui uma tradição, mas não é apenas uma tradição. Tradição é andar pelos mesmos caminhos antigos, cristianismo é novidade de vida (Rm 6:4).

A mesma distinção pode ser feita com relação às ideologias. Muita gente vê pontos de contato entre sua ideologia e os ensinos do Novo Testamento. A partir disso racionaliza de modo a confundir os dois. Outro modo é pela via da cultura. Não é segredo que recebemos um grande afluxo missionário vindo da América do Norte e isso foi uma benção para nós. Mas pelo caminho aberto pelos missionários vieram também teologias com uma carga cultural e ideológica nem sempre fácil de identificar. Com isso passamos a defender as mesmas bandeiras que eles e a ter a mesma visão da realidade. Quando isso está pautado numa realidade bíblica, não há problema, porém nem sempre está.

É verdade que temos que ser sal da Terra e luz do mundo (Mt 5:13-14), mas também é verdade que “esperamos novos céus e nova Terra, onde habita a justiça” (2Pe 3:13). Tanto a tradição quanto a ideologia pensam num mundo melhor, uma pelo que foi e a outra pelo que deve ser. No cristianismo o mundo ideal vem, e vem por meio de “Quem”, do próprio Cristo. Não por esforços humanos. Os dois primeiros são mundos do discurso, o último é da fé.

A realidade de Paulo também era assim, tanto que ele escreveu: “Eu lhes digo isso para que ninguém os engane com argumentos aparentemente convincentes” (Cl 2:4).

As palavras podem ser bonitas e ter toda aparência de sabedoria, mas apenas em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Cl 2:03).

Mantemos nossa cultura, e nos apegamos às nossas ideologias, mas com a consciência de que elas são temporais e sem confundi-las com a essência da nossa fé. Isso nos fará menos sensíveis às variações do mundo e mais às riquezas da nossa fé, uma só fé!

Um Convite à Teocracia... Ou não?


"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança". Salmo 33:12 (ACF*).

Esse texto muitas vezes é usado por políticos cristãos como se fosse um convite para que qualquer nação se tornasse "cristã".

Mas é um erro. A palavra "SENHOR" substitui, no texto hebraico, YHWH, (יהוה), o Tetragrama para o nome de Deus. Muitas vezes essa palavra é transliterada por JEOVÁ ou JAVÉ, entre outras formas variantes. O hebraico não possui caracteres vogais, e como a Lei proibia "tomar o nome de Deus em vão" (Êxodo 20:07), a vocalização correta da palavra começou a se perder quando o TEMPLO judaico foi destruído pelos exércitos romanos em 70 d.C. O NOME (HaShem) era pronunciado apenas uma vez por ano pelo Sumo Sacerdote judeu no Dia da Expiação (Levítico 23:27), o YOM KIPPUR. Contribuiu nesse “esquecimento” o fato de que na diáspora** a maioria dos judeus passou a adotar as línguas locais, ficando o hebraico para uso litúrgico e dominado apenas por estudiosos. E durante muito tempo as comunidades judaicas viveram isoladas dos centros de cultura ao redor.

Séculos mais tarde (século VI em diante), sábios judeus chamados “massoretas” (escribas) criaram um sistema de sinais diacríticos colocados abaixo e ao lado das letras hebraicas para indicar os sons vocálicos. Como os judeus não devem pronunciar YHWH, eles costumam utilizar ADONAY (Meu Senhor) em seu lugar. Em torno de 1100 d.C., alguém  pegou os sinais diacríticos de “Adonai” (não procure a correspondência em português) e os colocou em YHWH dando origem a Yehowah. Um costume adotado bem antes pelos leitores judeus (ler “Senhor” onde o texto dizia”YHWH) e já presente na SEPTUAGINTA***. Algumas edições da Bíblia continuaram o costume, e utilizaram SENHOR onde o texto trazia o Tetragrama.

Portanto "SENHOR" no Salmo 33 não está adjetivando “Deus”, mas é um substantivo para o Seu nome. O salmista não está convidando as nações a se tornarem teocracias, mas afirmando que das nações que havia em seu tempo, a "Bem-Aventurada" e escolhida era aquela que tinha como Deus nacional a YHWH. Não era a Babilônia com seu Marduk, nem a Filístia com Dagom, o Egito com seus inumeráveis deuses, ou uma das variações de Baal, mas ISRAEL e YHWH.

A estrutura poética do versículo esclarece isso. É muito importante para a poesia hebraica o paralelismo. Existem dois tipos principais de paralelismo na Bíblia, o antitético (quando um verso contrasta com o anterior por uma ideia oposta) e o sintético (quando um verso complementa o anterior usando uma ideia sinônima). No texto epigrafado o uso é sintético. “Nação” e “povo” são uma unidade. Aquele povo e aquela Nação. Deus não escolheu nenhuma outra nação da Terra, além de Israel, para levar o seu nome (Amós 3:2).

O cristianismo não é uma fé nacional, como era o judaísmo primitivo. É uma fé universalizante e de natureza espiritual que conclama os homens a aderirem a uma cidadania celestial. Existem cristãos, mas não uma "nação cristã". Podemos e devemos orar pela nossa nação e pelos nossos líderes (I Tm 2:1-3). Mas não faremos nossa nação abençoada apenas proclamando o senhorio de Deus sobre ela, “do Senhor é a Terra e tudo o que nela existe” (Sl 24:01,NVI), e sim proclamando nossa fé através dos nosso atos e palavras e agindo de acordo com seus valores (II Co 2:15).

Quem usa o salmo 33:12 apelando para uma “teocracia evangélica”, ou para justificar políticos, ditos cristãos, que não têm comprometimento com a ética evangélica, não entendeu o texto, ou, o que é mais provável, está querendo enganar os fiéis.

* Almeida Corrigida e Revisada “Fiel”.
**Diáspora: dispersão dos judeus por todo o mundo, I Pe 1:1.
*** LXX. Tradução grega do Antigo Testamento produzida no período helenístico anterior a Cristo e muito importante na produção do Novo Testamento.

GRAÇA


 Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo”. João 1:17

Eis aí um termo extensivamente explorado pela teologia cristã a partir da Reforma Protestante. Não que o tema fosse desconhecido antes, não era. Mas assumiu uma posição central na teologia que se produziu desde então.

Não é meu desejo analisar todos os aspectos da graça, mas considerar algumas questões do entendimento popular sobre a graça. Portanto vou me afastar um pouco dos conceitos de graça universal ou graça proveniente.

É fora de discussão que somos salvos pela graça (Efésios 2:8). Nenhum herdeiro direto da tradição protestante pode afirmar o contrário sem incorrer em heresia grave. O que geralmente causa um pouco de confusão é o alcance dessa graça.

Não é difícil encontrar pessoas que, confusas diante de algum sistema de escatologia (principalmente alguma variante dispensacionalista), imaginem que num futuro negro em que haveria um embate definitivo entre Deus e os poderes das trevas, as pessoas seriam salvas pelo seu próprio sangue, considerando que o tempo da graça teria passado. Eles imaginam que assim como as pessoas que viviam no tempo da lei eram salvas pela sua guarda e por sacrifícios animais, as pessoas desse futuro “gospelpunk” teriam que pagar pela salvação com o sacrifício pessoal.

Na base desse pensamento está uma compreensão limitada do sacrifício de Cristo. Entendimento que pode, inclusive, encontrar eco em textos (mal interpretados) como o de João 1:17, como se Cristo tivesse apenas criado um novo sistema de salvação mais simples.

Num certo sentido, a graça realmente mostrou-se na cruz de Cristo. Até então o entendimento era parcial. Entretanto a crucificação não se tornou eficaz apenas a partir do momento temporal em que ocorreu, sua eficácia, na verdade, abrangeu o infinito.

Ninguém nunca foi salvo pela guarda da lei (Romanos 3:28) ou pelo sacrifício de animais (Hebreus 10:04). Nunca houve um tempo de salvação pela lei, ou por qualquer outro meio que não fosse a cruz. A raça humana nunca viveu outro período que não fosse o da Graça. Quando os alicerces do mundo estavam sendo lançados, a graça lá estava. Cristo foi crucificado num momento temporal muito bem marcado, mas sua morte era um fato antes que houvesse seres humanos para serem salvos.

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Apocalipse 13:8.

O mundo foi criado na realidade da Graça. A Lei veio como uma diretriz limitada e de eficácia “identificatória” e pedagógica, mas com alguns aspectos universais e atemporais. Ela serviu como uma espécie de sinal para a fé e que tinha como alvo a salvação que viria. No tempo determinado, na plenitude dos tempos (Gálatas 4:4), veio o Filho de Deus e a cruz e ela foi o monumento definitivo da miséria do pecado, da derrota da morte e da soberania da Graça. Metaforicamente plantada no solo e apontando o céu, com extremidades que iam do passado remoto ao futuro distante tornando plena a salvação que não seria alcançada não fosse por meio do sacrifício operado nela.

Por isso ninguém é salvo por seu próprio sangue ou esforços. Seja um dos patriarcas ou heróis dos tempos antigos; ou os fiéis apostólicos e dos dias negros de perseguição romana; sejam os crentes da Reforma, ou nós, eu e você e os queridos que nos cercam; sejam mesmo os homens que estarão sobre a Terra no dia da sua renovação; ninguém foi, é ou será salvo fora da maravilhosa graça que opera por Deus em Cristo.

Essa maravilhosa Graça!

Rótulos


"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". 2ª Coríntios 5:17 (Almeida Corrigida e Revisada)
Se existe uma coisa complicada nessa vida é se livrar dos rótulos. As pessoas são, em geral, deterministas. Se você reagiu de um modo em certa ocasião, as pessoas acham que vai continuar agindo da mesma forma em todas as ocasiões. Você certamente já ouviu alguém dizer fez isso e agora que dar uma de santo, como se alguém não pudesse se arrepender e começar a fazer as coisas certas.
Se isso é ruim, muito pior é quando a pessoa se convence de que os rótulos são mesmo dela, como se eles fizessem parte da sua natureza e fosse impossível removê-los. Isso é bem comum, muitos de nós já se sentiram gravitando ao redor de um desses rótulos, abominando-o e sentindo-se incapaz de se desfazer dele. Uma amarra psicológica! Mas uma coisa são os comportamentos de uma pessoa, outra bem diferente é a pessoa em si.
É um tema central da vida cristã que em Cristo somos novas criaturas. O que fomos não importa mais, agora somos vistos pelo que Ele fez em nós. Isso não significa que não vamos ser tentados por comportamentos enraizados em nossos costumes, por padrões ancorados na nossa mente. O que não devemos é aceitar esses rótulos como parte de nós. “Tudo se fez novo” e é necessário que andemos “em novidade de vida” (Romanos 6:4).
Você não deve carregar todos esses rótulos. Você também não deve utilizar esses rótulos como desculpa para não mudar. Não diga “eu sou assim mesmo” ou “eu não posso mudar o que sou”, pois em Cristo você já é uma pessoa renovada. Você não é “duro”, “iracunda”, “obstinado”, “fácil”, “mentirosa”, “falso”...
Do mesmo modo, você precisa se esforçar para não ver as pessoas por esses rótulos, “a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano” (2ª Coríntios 5:16). Essa é a ideia por trás do “não julgueis”, pois em Cristo não existem mais estereótipos, Ele é tudo em todos (Colossenses 3:11). Os comportamentos devem ser vistos, e combatidos, se for o caso, pelo que eles são, comportamentos. Comportamento não é personalidade, é ação e escolha. As pessoas precisam entender que elas não são predestinadas a agir de certo modo, mesmo que elas sintam vontade de agir assim.
Jacó recebeu seu rótulo (Gênesis 25:26) no nascimento, “aquele que segura pelo calcanhar”. E seu nome soa, em hebraico, muito parecido com “enganador”. Imagine o que significava carregar um rótulo desses? E esse rótulo acabou por influenciar boa parte da vida adulta desse patriarca. Se ele era o “enganador”, por que agiria de outro modo? Mas ele teve um encontro com Deus (Gênesis 35:10), e “tudo se fez novo”, a começar pelo seu nome.
Deus nos promete um novo nome (Apocalipse 2:17), um nome que realmente seja parte de nós no lugar dos nomes que temos hoje ou dos rótulos que vamos recebendo durante a vida.
Não carregue cargas que não precisa, nem as coloque sobre os ombros dos outros.
Somos novas criaturas, os rótulos, novos e velhos, já passaram!

Que Ganho com Tanto Trabalho?


“O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do sol? Eclesiastes 1:2
Eclesiastes é o livro da conversa sincera, dos olhos nos olhos. O “Kohelet”, título hebraico da pessoa que faz os discursos, cria sua filosofia desconstruindo para reconstruir. Atenção! Você não deve se aproximar deste livro com ideias preconcebidas. Com o Eclesiastes é assim, você chega, se senta à mesa e espera até que ela esteja posta. A crueza do livro choca, e alguns até veem cinismo nele.
É certo que os primeiros discursos elencam todos os “negativos” da vida, de como as coisas são transitórias e efêmeras se comparadas à outra realidade além dos olhos. Porém os negativos não estão ali para chocar nem dar uma visão pessimista da vida. Eles nos ensinam.
O pregador nos diz que todo o nosso trabalho para pouco serve, é coisa transitória. Construímos uma casa, e logo ela começa a se deteriorar, e com isso vêm as constantes manutenções. Nada do que fazemos permanece.
Isso não é uma defesa da “inação”, existe uma teologia do trabalho que permeia a Bíblia e que vai influenciar o pensamento cristão, das manifestações pós-apostólicas ao início do capitalismo moderno e sua relação com a ética protestante.
Provérbios manda o preguiçoso ir ter umas aulas com a formiga (Provérbio 6:6) e Paulo diz aos tessalonicenses que quem não quer trabalhar deveria também não comer (2 Ts 3:10). Deus é apresentado trabalhando logo no início da  sua obra, e Jesus afirmou que assim como Deus, Ele também trabalhava (João 5:17). É verdade que certa teologia viu no trabalho uma maldição por causa da queda, mas o problema veio do incremento de dificuldade e não do trabalho em si.
De todo modo, mesmo reconhecendo o valor do trabalho, devemos aprender com o Kohelet que ele, assim como as outras coisas de nossa vida terrena, produz resultados transitórios.  O princípio aí é o de evitar uma visão exagerada do trabalho. Fazer dele o fim (quando é um meio) de nossa vida. Workaholics, as pessoas viciadas em trabalho, nem sempre aproveitam seus frutos. O excesso de trabalho, ou o excesso de preocupação com ele, produz mais frutos negativos que positivos (Ecl 2:23).
O importante é que tenhamos uma relação saudável com o trabalho, pensando sempre que ele deve ocupar seu tempo apropriado na nossa vida. Pois muito do desejo relacionado às realizações vêm de um sentimento de “ansiedade pela eternidade” (Ecl 3:11). Por isso muitos empreenderam obras pensando na sua permanência. Algumas realmente sobrevivem muitas gerações, mas mesmo esses encontrarão seu “ocaso”.
Você deve encarar o trabalho pelo que ele é. E em lugar de “maldição”, o trabalho passa a ser visto como um presente!
Afinal de contas, tudo o que fazemos deve ser feito para a glória de Deus (1 Co 10:31). 
Não é o que eu ganho, mas o que eu não perco no processo!
 “Descobri também que poder comer, beber e ser recompensado pelo seu trabalho, é um presente de Deus”. Eclesiastes 3:13.


Eu Tenho a Força?


"Tudo posso [em Cristo] naquele que me fortalece".
                                                        Filipenses 4:13

Texto muito conhecido...Fora do seu contexto. Citado assim, solto, dá uma ideia de poder, quase como se fosse um amuleto, uma frase mágica que pode te transformar em...

Sintoma de uma época em que vale mais o discurso de uma fé ufanista que as ações derivadas da fé sincera. Entretanto basta uma olhada no versículo anterior para desfazer o erro: “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação”.  Esse é um segredo importante para uma vida, em todos os sentidos, saudável. E um princípio cristão inegociável, praticado durante os últimos dois milênios por todos aqueles que foram tocados pela verdadeira paz que “excede todo entendimento” (v. 7).

Isso não é estoicismo. Nada de indiferença filosófica. É o fruto de uma fé madura. Não é tornar-se um tipo de robô incapaz de sentir. Não é ser “forte” no sentido de reprimir a todo custo nossos sentimentos. Pelo contrário, até o Mestre chorou (Jo 11:35)!

É conhecimento e é mais que conhecimento! Todo ensino passa pelo intelecto, mas ele precisa frutificar, ser incorporado ao nosso ser de tal modo que passe a ser parte da nossa natureza. Paulo chama isso de ter a “mente de Cristo”(1 Co 2:16). Isso se dá por meio da prática (Fp 4:9).   Paulo não era indiferente ou insensível, ele sentia as dores como todos nós, mas sabia que por meio de tudo isso ele era conduzido a algo melhor.

É uma grande ajuda, quando você passa por dificuldades, saber o seu objetivo. Quando isso acontece, as coisas não parecem mais tão assustadoras e você consegue ver os raios de sol num dia nublado.

E existe um “lado b” nessa fita (80’s), o texto reconhece que mesmo coisas aparentemente boas podem produzir resultados ruins. Vivemos um tempo de abundância (apesar das crises), se comparado a épocas passadas, e nossa geração é uma das mais iludidas com todas essas coisas que são apenas temporárias. “Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação”, ensina o apóstolo!

Paulo já aprendera (2ª Co 12:09) que o poder de Deus se manifesta na fraqueza humana. Com isso em mente, podemos entender o texto como “eu tudo posso suportar, mesmo as coisas boas, em Cristo que me fortalece”. Esse é um contentamento que independe das circunstâncias exteriores.

Que tal praticar um pouco desse contentamento com tudo o que você tem HOJE?


Essa é a fortaleza inabalável de quem é fortalecido por Cristo!

Aves Solitárias


“Eu sou igual a um pelicano no sertão e como uma coruja nas ruínas” Salmo 102:06
Nos Salmos encontramos a nossa humanidade. Assim como em alguns deles ouvimos falar de mistérios, em outros, como o 102, encontramos a mais clara expressão das perplexidades e angústias que experimentamos durante a vida.
Um pelicano no deserto e uma coruja sozinha num lugar destruído. O pelicano é uma ave aquática, dá para entender a perplexidade da coisa. E a coruja parece nos indicar alguém que observa a partir de um mundo em ruínas, como dizem algumas versões.
Ele fala de solidão, mas não apenas o estar sozinho, é também a solidão de sentir-se sozinho. Esse é o lamento de um homem que olha para sua terra destruída, e olha também para dentro de si.
Ele aguarda em silêncio, sabe que (v. 12 e 13) nada disso é permanente. Ele olha para um futuro em que Deus atenderá a oração do desamparado (v. 17).
O homem olha para si, e há desolação na sua alma. Mas ele olha também para a sua Terra, e a desolação é assombrosa!
Quantos não estão como esse salmista hoje? Na solidão pessoal, e com um gemido pela Terra que vai sendo devastada por mãos ímpias?
Somos isolados nas nossas dores, solitários, pois ninguém mais pode experimentar o que experimentamos. E somos unidos com nosso povo nas coisas que afligem nossa terra. Tais são as dimensões psicológica e social dos seres humanos.
Mas Deus é o Deus da História! E é o Deus que sabe como me sinto, pois não apenas contempla o ir e vir das coisas, Ele tomou sobre si a minha humanidade (e iniquidades).
Deus não olha lá de cima, distante, o sofrimento humano. Ele está ao lado dos que choram e promete que toda lágrima enxugará!
O salmista esperava que seus descendentes vissem a salvação sobre sua Terra e seu povo. Nós temos a certeza de que veremos com nossos olhos e n'Ele viveremos, ainda quando todas as Terras não passarem de um ponto na longa história da Eternidade.
Ele não é só o Deus que te contempla, ele é o Deus que está andando com você nesse deserto!

Voemos.

Estou em Processo...


“Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus”.  Filipenses 1:6   
E quem não está? A ideia não é original, pelo menos parece não ser. A gente vive uma realidade em que ninguém tem a coragem de se dizer completo. Isso não é uma coisa que tenha lá muito prestígio social.
Todo mundo diz que está aprendendo, que está na sua jornada pessoal pelo seu Caminho de Santiago. Tema antigo para quem costuma andar pelas trilhas do novo misticismo, celebrado em livros e filmes.
Mas existe uma diferença. O processo aqui de Filipenses é orientado. Não por forças cósmicas cheias de um sentido misterioso, mas pelo próprio Deus, assevera Paulo. E dura a vida toda!
Paulo tratou do tema mais de uma vez. A ideia é sempre de progressão, de crescimento. Somos como crianças no mundo, Paulo ensina, caindo e levantando para cair e levantar de novo! Mas então ele nos lembra que ali do lado está um Deus que nos ampara, mostra onde erramos e continua pacientemente nos ensinando.
Isso é libertador!  Assim como os pais entendem que seu bebê não tem que sair correndo no primeiro passo, Deus sabe que algumas vezes nós cairemos, teremos medo, seremos duros para aprender a lição e talvez até o neguemos com nossos atos. O que Ele deseja é que após cada passo vacilante siga um passo mais seguro, que depois de um som mal articulado siga uma palavra completa, e, talvez, umas frases bem articuladas.
E assim vamos trilhando o caminho que Deus preparou para nós, e atuando numa história que vai sendo construída por mãos poderosas e nossa fé humana na capacidade dessas mãos.
Desse modo (1:9 e 10) crescemos em conhecimento e disso brota uma percepção mais apurada, o que nos leva a discernir melhor as coisas pelo caminho, até que cheguemos à “estatura de Cristo” (Efésios 4:13, ACF).
Um lembrete, embora o processo seja diferente para cada pessoa, ele não é solitário. Vivemos em comunidade,  todos nesse processo. E em muitos casos nós somos as mãos de Deus amparando os nossos irmãos. A jornada é pessoal, mas em comunidade!
Não perca as oportunidades de perceber como Deus age em sua vida, as coisas que te ensina e o que deseja para você. Os seguidores de Cristo eram chamados de “discípulos”, um termo que significa “aluno”. Aceitar-se como discípulo/aluno é o primeiro e mais importante passo no aprendizado conduzido por Cristo. O segundo, tão importante quanto o primeiro, é continuar sendo discípulo por toda a vida!

Afinal, estamos em processo!


Algumas referências: Ef. 4:11-14; 1 Co 13:11-13; 1 Pe 5:10.

A Verdadeira Alegria

“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos”.  
                                                             Filipenses 4:4-Almeida “FIEL”.

Esse é o tema central da carta, a alegria! Mas não qualquer alegria, é uma muito específica e que só é possível para quem vive em  proximidade com o Senhor. “Alegrem-se”, diz o apóstolo, “no Senhor”. Ele repete várias vezes, o tema está lá, de um modo ou de outro, em todos os capítulos.
Falamos disso antes, “é um contentamento que independe das circunstâncias exteriores”. Não tem coisa mais estranha do que dizer que devemos nos alegrar quando tudo ao nosso redor nos diz o contrário. Mas Paulo o faz amparado na verdade eterna! Quem está em Cristo passou da morte para a vida!
Não é uma alegria “forçada”, flui do Senhor, é fruto do Espírito (Gálatas 5:22). Não é uma coisa “da carne”. Por ela Paulo não tinha muito do que se alegrar. Ele estava preso, e havia a possibilidade de que não sobrevivesse (Fp 2:17), mas isso pouco importava, “viver é Cristo, morrer é ganho” (Fp 1:21). Não é algo fácil de se entender, nem é algo para se entender mesmo. É algo que se experimenta na fé!
Nossa geração é uma das mais prósperas que já viveu, e mesmo assim há muita tristeza entre nós. Os sábios antigos já sabiam que a alegria sincera é terapêutica. ”O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos”, Provérbios 17:22.
Nossa prosperidade nos deu uma vida melhor, mas não tem o poder de nos dar uma paz verdadeira. Tampouco satisfação permanente. As pessoas vão vivendo de uma alegria temporária e barata, na esperança de que juntando momentos com momentos, a vida possa por fim ser boa. Mas isso não é alegria. É entretenimento. Só faz esquecer. Mas a memória volta...
A alegria que Cristo oferece não é isenta de sofrimento ou dor. Ela é uma flor que brota da certeza e da fé, e que brilha quando tudo mais está apagado.
O Deus que falou por Paulo sabe que temos razões demais para andarmos ansiosos, e essa ansiedade é um dos ingredientes do nosso excesso de tristeza. O que Ele nos diz é que devemos levar essas ansiedades aos Seus pés, exercendo nossa gratidão com lábios sinceros. E assim, unidos com Deus na mente e no coração, participamos da sua glória, manifesta nessa alegria. Nós lançamos diante dele a nossa dor, e Ele nos garante que Sua paz que excede todo o entendimento guardará nossos sentimentos e pensamentos" ( Fp 4:6 e7).

Esse é o segredo da Alegria Verdadeira!

Shalom!

Seja Bem Vindo (a) meu (minha) amigo(a), fique a vontade para copiar o que te interessar e distribuir. Apenas peço que cite a fonte. No mais que Deus te abençoe com todas as benção espirituais em Cristo!

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